Casas e Apartamentos

Mercado Imobiliário
Censo
Verticalização
Em apenas três das mais de cinco mil cidades brasileiras há mais apartamentos do que casas. Nem o tamanho da população nem a área do município explicam a verticalização.
Autor

Vinicius Oike Reginatto

Data de Publicação

19 de março de 2025

Ilustração que contrasta casas baixas com edifícios de apartamentos

Um país de casas

A vasta maioria dos domicílios residenciais no Brasil é formada por casas1. De fato, em apenas 3 das mais de cinco mil cidades brasileiras, o número de apartamentos é superior ao número de casas. Isto é, apenas em Santos, Balneário Camboriú e São Caetano do Sul, existe uma proporção maior de apartamentos do que de casas. Embora São Paulo seja famosa por seus prédios, os apartamentos representam apenas um terço das moradias na cidade.

A tabela abaixo resume os dados para as vinte cidades mais “verticalizadas” do Brasil.

Nome da Cidade UF Casa Apartamento Outros Total de Domicílios
Santos SP 31,9% 67,1% 1,0% 167.478
Balneário Camboriú SC 36,4% 63,3% 0,3% 57.862
São Caetano do Sul SP 46,3% 52,5% 1,2% 61.995
Porto Alegre RS 50,3% 49,6% 0,2% 558.252
Vitória ES 50,4% 49,0% 0,6% 128.617
São José SC 53,9% 45,9% 0,2% 105.580
Viçosa MG 54,8% 45,0% 0,2% 29.055
Florianópolis SC 55,7% 44,0% 0,3% 219.739
Niterói RJ 55,8% 44,0% 0,2% 194.492
Itapema SC 56,2% 43,5% 0,3% 27.423
João Pessoa PB 58,5% 41,3% 0,2% 296.249
Vila Velha ES 58,8% 40,8% 0,4% 177.116
Rio de Janeiro RJ 59,7% 39,5% 0,8% 2.436.971
Valparaíso de Goiás GO 60,2% 38,9% 0,9% 71.169
Belo Horizonte MG 60,2% 38,9% 0,9% 889.584
Bento Gonçalves RS 62,3% 37,7% 0,0% 48.813
Juiz de Fora MG 62,7% 37,1% 0,2% 210.953
Castelo ES 64,7% 35,2% 0,1% 14.229
Santo André SP 64,7% 34,7% 0,6% 280.389
Brasília DF 64,9% 34,2% 0,9% 988.191
Fonte: IBGE (CENSO, 2022) • EKIO.

Tamanho do Município

Pode-se imaginar que cidades maiores são mais verticalizadas, na média, do que cidades menores. Isto não parece ser o caso no Brasil. O gráfico abaixo mostra a relação entre o número total de domicílios e o share de apartamentos nas maiores cidades brasileiras. Considerou-se somente cidades com pelo menos 50 mil domicílios (grosso modo, 150 mil habitantes).

Os dados apresentam uma correlação muito fraca e grande variabilidade. De fato, não parece haver relação alguma entre os dados.

A tabela abaixo ilustra este fato. A tabela mostra todas as cidades na faixa de 150 a 200 mil domicílios. A cidade com maior percentual de apartamentos é Santos: 67% dos seus 167 mil domicílios são apartamentos; um contraste enorme com São João de Meriti: menos de 5% dos seus 168 mil domicílios são apartamentos.

Nome da Cidade UF Apartamento Total de Domicílios
Santos SP 67,1% 167.478
Niterói RJ 44,0% 194.492
Vila Velha ES 40,8% 177.116
Caxias do Sul RS 33,9% 184.843
Jundiaí SP 30,6% 163.219
Maringá PR 29,1% 156.517
Piracicaba SP 23,5% 155.428
Mogi das Cruzes SP 22,3% 158.693
São José do Rio Preto SP 20,9% 185.633
Serra ES 20,0% 191.936
Porto Velho RO 16,2% 151.905
Campos dos Goytacazes RJ 13,3% 175.744
Ananindeua PA 12,9% 154.891
Mauá SP 12,2% 152.619
Aparecida de Goiânia GO 10,5% 186.221
Belford Roxo RJ 7,3% 180.893
São João de Meriti RJ 4,3% 168.771

Comparando o share de apartamentos com o tamanho do município2, chega-se à mesma conclusão. O gráfico abaixo mostra o percentual de domicílios contra a área total do município. Seria intuitivo que municípios menores, onde há menos oferta de terra, exibissem maiores percentuais de apartamentos. Contudo, não parece haver relação entre as variáveis.

Na faixa de 1.000 a 6.000 hectares, temos 20 municípios, a maioria com menos de 20% de apartamentos. Neste contexto, Balneário Camboriú e São Caetano do Sul são outliers notáveis com mais de 50% de apartamentos.

Nome da Cidade UF Apartamento Total de Domicílios Área (ha.)
Balneário Camboriú SC 63,3% 57.862 4.643
São Caetano do Sul SP 52,5% 61.995 1.567
Valparaíso de Goiás GO 38,9% 71.169 6.315
Barueri SP 28,5% 109.460 6.685
Lauro de Freitas BA 27,4% 75.302 5.784
Osasco SP 24,8% 261.473 6.575
Taboão da Serra SP 22,9% 99.423 2.078
Diadema SP 18,7% 144.824 3.118
Olinda PE 17,5% 127.261 4.173
Hortolândia SP 15,9% 80.802 6.323
Carapicuíba SP 15,7% 136.793 3.506
Sapucaia do Sul RS 15,3% 50.174 6.006
Cachoeirinha RS 14,6% 52.484 4.515
Nilópolis RJ 12,2% 57.005 1.939
Mauá SP 12,2% 152.619 6.293
Ferraz de Vasconcelos SP 12,1% 61.301 2.989
Mesquita RJ 9,8% 62.611 4.142
Camaragibe PE 8,5% 53.357 5.137
São João de Meriti RJ 4,3% 168.771 3.553
Francisco Morato SP 3,4% 57.668 4.969

Tabela completa

A lista completa dos dados pode ser acessada na tabela abaixo.

Ninguém decide só com dados. E ninguém decide bem sem eles.

A decisão continua sendo sua. Nosso trabalho é diminuir o que ela tem de aposta.

Falar sobre um projeto

Conhecer os serviços

Notas de rodapé

  1. Vale notar que os dados refletem o número total de domicílios e não o número total de pessoas morando em domicílios (por tipo de domicílio).↩︎

  2. Existe uma leve distorção no cálculo da área do município. Calculou-se a área total do perímetro municipal, o que penaliza cidades com muitas áreas verdes. Cidades como Campo Grande e Manaus, por exemplo, têm uma área total muito superior à área urbana. Conseguir o shapefile somente da área urbana da cidade, contudo, não é tarefa simples.↩︎