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Gerações no Brasil

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Quase metade dos brasileiros tem entre 12 e 43 anos, o maior contingente de jovens da história do país. Este fator demográfico, junto com a redução do tamanho das famílias, deve sustentar a demanda imobiliária no país pelos próximos 15 anos. A educação e o acesso desigual a oportunidades, contudo, limitam esse ganho: um em cada cinco jovens não estuda nem trabalha.
Autor

Vinicius Oike Reginatto

Data de Publicação

5 de fevereiro de 2025

Ilustração de varandas e terraços em edifícios residenciais

O Brasil está envelhecendo, assim como tantos outros países no mundo. A combinação do aumento consistente da expectativa de vida com as seguidas quedas na taxa de fecundidade vai modificar a distribuição etária do país. O percentual de idosos na população vai aumentar, relativamente ao número de jovens e de adultos; além disso, a população, em termos absolutos, também deve começar a diminuir por volta da década de 2040.

Apesar dessa tendência, o quadro demográfico de hoje revela o maior contingente de jovens na história do país. Quase 100 milhões de pessoas, perto de metade da população, formam a Geração Z e a Geração Y (millennials), com idades entre 12 e 43 anos. Para o mercado imobiliário, há duas consequências imediatas. A primeira, aproveitar a última onda do bônus demográfico, que forma a base da demanda imobiliária: os mais jovens formando famílias e comprando o sonho da casa própria. A segunda, ainda pouco explorada: adaptar o produto imobiliário ao público idoso.

Gráfico de colunas da participação de cada idade na população brasileira do Censo 2022, com cores por geração. Geração Z e Millennials reúnem quase metade da população.

Os cortes de cada geração no gráfico acima seguem a definição da Beresford Research, que adapta a classificação do Pew Research Center. Os dados vêm do Censo de 2022. Vale comentar que não há consenso sobre os anos de corte para delimitar uma geração da outra.

Gráfico de barras do Pew Research Center mostrando os intervalos de idade de cada geração, de Silenciosa a Gen Alpha, com Baby Boomers, Gen X, Millennials e Gen Z no meio.

Como afirmado anteriormente, esta deve ser a última grande geração jovem do Brasil, e o país precisa aproveitá-la economicamente. O envelhecimento da população vai elevar a razão de dependência, pressionando o sistema previdenciário que segue frágil, mesmo após a reforma. Com menos adultos em idade para trabalhar, o Brasil vai precisar produzir ganhos de produtividade para manter seu crescimento.

Os sinais do envelhecimento vão chegar antes nas cidades do Sul e do Sudeste, mas o Brasil inteiro deve passar pelo mesmo processo de transição demográfica.

A última grande geração jovem do Brasil
Estimativa populacional por grupo geracional: valores absolutos e relativos.
Geração Faixa etária População Participação (%) Part. acumulada (%)
Alpha 1-11 29.500.000 14,7% 14,7%
Gen Z 12-27 47.600.000 23,7% 38,4%
Millennial 28-43 50.800.000 25,3% 63,7%
Gen X 44-59 40.700.000 20,3% 84,0%
Boomers 60-79 27.500.000 13,7% 97,7%
Elder 80-100 4.600.000 2,3% 100,0%
Fonte: IBGE (Censo Demográfico 2022) • EKIO. População arredondada para a centena de milhar mais próxima para facilitar a visualização. Valores de participação calculados a partir dos valores exatos.

Entre os jovens brasileiros, porém, cresce o contingente que não trabalha nem estuda. Os números recentes da PNAD ainda mostram uma distância grande entre as taxas de desemprego por idade, sobretudo para a Geração Z, que chega agora ao mercado de trabalho.

Gráfico de linhas da taxa de desemprego trimestral por faixa etária. Os grupos mais jovens apresentam taxas maiores que os adultos mais velhos ao longo do período.

O IBGE, na Síntese de Indicadores Sociais, mostra que 22,3% dos brasileiros de 15 a 29 anos não estudavam nem trabalhavam em 2022. São quase 11 milhões de jovens.

Um relatório da OCDE também aponta uma parcela muito alta de nem-nem (jovens que não trabalham nem estudam) na faixa de 18 a 24 anos no Brasil. Esses jovens são majoritariamente negros, mulheres e de baixa renda, o que expõe o acesso desigual a oportunidades no país.

Gráfico da OCDE de barras comparando a proporção de jovens de 18 a 24 anos que não trabalham nem estudam em países da OCDE. O Brasil aparece no topo, entre os países com maior proporção de nem-nem.


A oportunidade é grande, mas a janela é pequena. O componente demográfico deve sustentar a demanda imobiliária nos próximos 15 anos; mas o crescimento econômico do país e até a própria realização desta demanda imobiliária dependem também da inserção das novas gerações no mercado de trabalho. Transformar a maior geração jovem da história do país em compradores e inquilinos será o teste para colher os últimos frutos do bônus demográfico.

Ninguém decide só com dados. E ninguém decide bem sem eles.

A decisão continua sendo sua. Nosso trabalho é diminuir o que ela tem de aposta.

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