| O índice, suas dimensões e seus componentes | ||||
| Distribuição entre os municípios brasileiros. Escala de 0 a 100. | ||||
| Mínimo | Média | Mediana | Máximo | |
|---|---|---|---|---|
| Índice de Progresso Social | 37,6 | 58,1 | 58,1 | 74,5 |
| Necessidades Humanas Básicas | 36,8 | 71,5 | 72,1 | 90,8 |
| Nutrição e Cuidados Médicos Básicos | 34,7 | 69,4 | 70,0 | 90,3 |
| Água e Saneamento | 11,3 | 68,5 | 70,8 | 99,3 |
| Moradia | 10,5 | 86,9 | 89,1 | 99,6 |
| Segurança Pessoal | 0,0 | 61,0 | 63,3 | 87,4 |
| Fundamentos do Bem-estar | 35,2 | 62,7 | 63,3 | 77,7 |
| Acesso ao Conhecimento Básico | 23,2 | 70,8 | 72,4 | 90,4 |
| Acesso à Informação e Comunicação | 12,4 | 59,7 | 60,9 | 91,0 |
| Saúde e Bem-estar | 20,9 | 56,4 | 56,9 | 76,2 |
| Qualidade do Meio Ambiente | 9,0 | 64,0 | 66,1 | 81,8 |
| Oportunidades | 19,2 | 40,0 | 40,0 | 64,0 |
| Direitos Individuais | 5,2 | 28,5 | 27,1 | 74,9 |
| Liberdades Individuais e de Escolha | 1,2 | 40,6 | 40,2 | 80,9 |
| Inclusão Social | 1,3 | 60,8 | 62,4 | 99,1 |
| Acesso à Educação Superior | 4,1 | 30,0 | 28,5 | 74,6 |
| Fonte: IPS-Brasil (Imazon). Elaboração: EKIO. | ||||
O Índice de Progresso Social nos municípios brasileiros
O que o IPS mede
O IPS avalia o desenvolvimento social sem usar variáveis econômicas. Enquanto o PIB per capita mede a riqueza produzida, o IPS mede resultados: quantas pessoas têm acesso a água tratada, quantas crianças concluem a escola e quantos adultos alcançam o ensino superior.
O índice se organiza em três dimensões, cada uma formada por quatro componentes.
Necessidades Humanas Básicas reúne nutrição e cuidados médicos, água e saneamento, moradia e segurança pessoal. Fundamentos do Bem-estar cobre acesso ao conhecimento básico, informação e comunicação, saúde e qualidade do meio ambiente. Oportunidades trata de direitos individuais, liberdades pessoais, inclusão social e acesso à educação superior.
O IPS-Brasil é uma adaptação da metodologia internacional do Social Progress Index, feita pelo Imazon em parceria com o Social Progress Imperative. Os dados deste post cobrem todos os municípios do país; as variáveis de contexto trazem a população do Censo de 2022 e o PIB per capita de 2021.
Estatísticas descritivas
Todos os indicadores vão de 0 a 100, e valores maiores indicam melhor desempenho. A tabela abaixo resume os valores médios e medianos do IPS.
Nenhuma cidade brasileira consegue uma pontuação próxima de 100. A média nacional fica em torno de 58. A cidade com melhor desempenho é Gavião Peixoto (SP), cidade do interior de São Paulo, famosa pela presença da Embraer. Entre as cidades com mais de 800 mil habitantes, a de maior IPS é Brasília (DF), com 71,3.
As dimensões de Necessidades Humanas Básicas e de Fundamentos do Bem-estar têm as pontuações mais elevadas. O componente de moradia, em particular, tem média próxima de 87, e algumas cidades chegam perto de 100. O IPS não aborda diretamente o déficit habitacional e nem a falta de moradia; a sua metodologia computa apenas a presença de infraestrutura básica nas casas das famílias: piso, parede, acesso à rede elétrica e ao serviço de coleta de lixo.
A dimensão de Oportunidades tem a pior avaliação, e dois de seus componentes ficam muito abaixo do resto: Direitos Individuais, com média de 28,5, e Acesso à Educação Superior, com 30,0.
Como o índice se distribui

Quase 59% dos municípios pontuam entre 50 e 60. A distribuição é simétrica: a média, 58,1, praticamente coincide com a mediana e o gráfico revela que há poucas cidades que se destacam, tanto positivamente como negativamente.
Essa média dá o mesmo peso a Serra da Saudade, com 833 habitantes, e a São Paulo, com 11,5 milhões. Ponderando pela população, o índice do brasileiro típico sobe para 61,8, porque os municípios maiores pontuam melhor. A comparação entre estados, mais adiante, usa a média ponderada, que responde melhor à pergunta sobre como vivem os moradores de cada estado.
Dimensões que não andam juntas
A tabela mostra Oportunidades bem abaixo das outras duas dimensões, mas essa distância diz pouco por si só. O IPS normaliza cada indicador entre um pior e um melhor valor de referência, e o nível de cada componente depende dessas referências. Por isso, a forma como as dimensões variam entre os municípios informa mais do que o nível de cada uma.
Necessidades Humanas Básicas e Fundamentos do Bem-estar andam juntas: a correlação entre as duas é de 0,60. Oportunidades quase não acompanha as outras, com correlações de 0,18 e 0,21. Um município com boa infraestrutura, saúde e escolas não tem, só por isso, mais acesso ao ensino superior ou uma câmara municipal mais diversa. O índice geral soma, portanto, coisas que medem aspectos diferentes do desenvolvimento.

A renda explica só parte do índice: a correlação do IPS com o logaritmo do PIB per capita é de 0,40. Entre os componentes, o padrão varia bastante. Acesso à educação superior (0,56), liberdades individuais e acesso à informação são os que mais acompanham a renda. Saúde, meio ambiente e direitos individuais praticamente não se relacionam com ela. Inclusão social tem correlação negativa, -0,29: municípios mais ricos tendem a pontuar pior nesse componente, que volta a aparecer na comparação regional.
Desempenho regional

O ranking entre regiões segue o esperado. Ponderado pela população, o Sudeste lidera com 64,5 pontos e o Norte fecha a lista com 55,3. Entre os estados, São Paulo, Santa Catarina e Paraná vêm logo depois do Distrito Federal; Pará, Acre, Rondônia e Maranhão ocupam as últimas posições. O Distrito Federal é um município único, mas a média ponderada o torna comparável aos estados: nos dois casos, o número descreve o morador típico.
O mapa mostra o que as médias estaduais escondem. São Paulo forma a maior mancha contínua de índices altos: 88% dos municípios paulistas passam de 60 pontos. No Norte, grande parte do território fica abaixo de 50, e as exceções são as capitais e alguns municípios vizinhos. Boa Vista e Manaus concentram mais da metade da população de seus estados, por isso a média ponderada supera a simples em 9,5 pontos em Roraima e em 7,4 no Amazonas. Nesses estados, o número que descreve o morador típico diz pouco sobre o interior.
Oportunidades pouco separa as regiões: ponderadas pela população, as médias vão de 42,5 a 47,8. O componente de inclusão social, porém, inverte o ranking regional. No IPS-Brasil, ele mede paridade de gênero e de raça na câmara municipal, violência contra mulheres, negros e indígenas, e trabalho infantil. O Nordeste marca 60,0 nesse componente, e o Sudeste, primeiro no índice geral, fica em último, com 41,3. Desenvolvimento econômico e inclusão política não caminham juntos.
Extremos
| Os dez municípios com maior IPS | |||||
| Pontuação geral e por dimensão. | |||||
| Município | UF | IPS | Necessidades | Bem-estar | Oportunidades |
|---|---|---|---|---|---|
| Gavião Peixoto | SP | 74,5 | 86,6 | 72,9 | 64,0 |
| Brasília | DF | 71,3 | 79,2 | 73,8 | 60,8 |
| São Carlos | SP | 71,0 | 79,9 | 74,3 | 58,7 |
| Goiânia | GO | 70,5 | 80,6 | 72,6 | 58,3 |
| Nuporanga | SP | 70,5 | 82,9 | 70,5 | 58,0 |
| Indaiatuba | SP | 70,5 | 84,2 | 74,3 | 52,9 |
| Gabriel Monteiro | SP | 70,4 | 90,8 | 71,7 | 48,8 |
| Águas de São Pedro | SP | 70,4 | 88,5 | 70,6 | 52,0 |
| Jaguariúna | SP | 70,3 | 83,7 | 73,7 | 53,4 |
| Araraquara | SP | 70,2 | 83,1 | 73,6 | 53,9 |
| Fonte: IPS-Brasil (Imazon). Elaboração: EKIO. | |||||
São Paulo domina o topo da lista, com 8 dos dez primeiros colocados. As duas exceções são capitais: Brasília e Goiânia. O primeiro lugar cabe a Gavião Peixoto, no interior paulista, um município de menos de cinco mil habitantes — a lista mistura cidades médias industrializadas com municípios pequenos, onde um número reduzido de habitantes facilita a cobertura de serviços.
| Os dez municípios com menor IPS | |||||
| Pontuação geral e por dimensão. | |||||
| Município | UF | IPS | Necessidades | Bem-estar | Oportunidades |
|---|---|---|---|---|---|
| Uiramutã | RR | 37,6 | 42,3 | 45,0 | 25,5 |
| Alto Alegre | RR | 38,4 | 36,8 | 48,3 | 30,1 |
| Trairão | PA | 38,7 | 49,7 | 36,2 | 30,2 |
| Bannach | PA | 38,9 | 51,1 | 41,2 | 24,4 |
| Jacareacanga | PA | 38,9 | 49,9 | 39,3 | 27,5 |
| Cumaru do Norte | PA | 40,6 | 46,3 | 40,1 | 35,5 |
| Pacajá | PA | 40,7 | 46,5 | 43,1 | 32,5 |
| Uruará | PA | 41,3 | 45,2 | 49,1 | 29,5 |
| Portel | PA | 42,2 | 47,6 | 42,5 | 36,6 |
| Bonfim | RR | 42,3 | 54,8 | 48,7 | 23,3 |
| Fonte: IPS-Brasil (Imazon). Elaboração: EKIO. | |||||
Na outra ponta, os dez piores resultados estão todos no Pará e em Roraima. São municípios amazônicos que pontuam mal nas três dimensões ao mesmo tempo, e não apenas em uma delas: nenhum passa de 55 pontos em Necessidades Humanas Básicas, patamar que a mediana nacional supera com folga.
Dados e referências
- Dados: IPS-Brasil, Imazon.
- Metodologia: Social Progress Index.
Ninguém decide só com dados. E ninguém decide bem sem eles.
A decisão continua sendo sua. Nosso trabalho é diminuir o que ela tem de aposta.