
Onde o Brasil já envelheceu
Em 2022, 555 municípios brasileiros tinham mais idosos do que jovens, cerca de um décimo do país. Só no Rio Grande do Sul estão 246 deles. A conta vem do índice de envelhecimento, que mede quantas pessoas de 65 anos ou mais existem para cada 100 pessoas de até 14 anos; acima de 100, os idosos superam os jovens.
O mapa abaixo traz o índice nos 5.570 municípios do país, segundo o Censo de 2022. A série no canto inferior acompanha o índice do Brasil nos quatro Censos mais recentes.
O futuro demográfico do Brasil, em boa parte, já está escrito. A queda da fecundidade e o aumento da expectativa de vida envelhecem a população de forma lenta e previsível, e o mapa mostra o quanto dessa transição já aconteceu. O município típico tem hoje índice de 61,4, acima do índice do país, de 55,2. A diferença não é contradição: o índice nacional pondera pela população, e o peso das cidades grandes puxa a conta.
O Sul e o Sudeste concentram as cidades mais envelhecidas. O caso extremo é o Rio Grande do Sul: metade dos seus municípios já tem mais idosos do que jovens, e a mediana estadual, de 99,2, supera em mais de vinte pontos a de Minas Gerais, o segundo colocado. Santa Catarina e Paraná, vizinhos do Rio Grande do Sul, ficam bem abaixo, com medianas próximas de 66. No Nordeste, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Norte já registram medianas perto de 57, acima de estados do Centro-Oeste como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
A ponta jovem do mapa está no Norte. Dos 250 municípios com índice abaixo de 25, dois terços ficam na região; Amapá, Amazonas e Roraima têm medianas estaduais entre 16,7 e 18,6, menos de um quinto do valor gaúcho.
Dados: IBGE, Censos Demográficos de 1991, 2000, 2010 e 2022.
Ninguém decide só com dados. E ninguém decide bem sem eles.
A decisão continua sendo sua. Nosso trabalho é diminuir o que ela tem de aposta.