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Recessões no Brasil

Economia
PIB
Recessões
Desde 1996, o Brasil teve seis recessões, a maioria com dois a cinco trimestres de duração. A da Covid foi a queda mais profunda; a de 2014–16, a mais longa: o PIB só voltou ao patamar pré-crise em 2022.
Autor

Vinicius Oike Reginatto

Data de Publicação

1 de março de 2024

Ilustração de séries cíclicas sobre uma grade sem rótulos

Ciclos Econômicos

Ciclos econômicos são flutuações recorrentes observadas empiricamente na atividade econômica de países. Estes ciclos são caracterizados por variações numa série de índices de atividade, emprego, investimento, etc. Estas flutuações geralmente seguem um padrão de expansão seguido por contração/recessão, formando o que é conhecido como um ciclo. Os ciclos econômicos são influenciados por uma variedade de fatores, incluindo mudanças na demanda do consumidor, políticas governamentais, inovações tecnológicas e choques externos (e.g. quebra de safra, pandemia, etc.).

No Brasil, a datação dos ciclos econômicos é feita pelo CODACE1. Desde 1996, houve 6 recessões. A maioria das recessões foi relativamente curta, durando de 2 a 5 trimestres. A recessão mais longa foi a da Crise Econômica no segundo governo Dilma; oficialmente, a recessão começou no segundo trimestre de 2014 e foi até o quarto trimestre de 2016.

O gráfico abaixo mostra a série trimestral do PIB, dessazonalizada, em número-índice. A base do índice é a média de 1996. Nota-se que os períodos de expansão são mais frequentes do que os períodos de recessão: no período da amostra houve 87 trimestres de expansão contra 25 trimestres de recessão. Grosso modo, um em cada quatro trimestres apresentou uma recessão.

Gráfico de linhas do PIB trimestral dessazonalizado, com média de 1996 igual a 100. Faixas sombreadas marcam as recessões brasileiras. A tendência de expansão é interrompida por quedas, com destaque para 2014–2016 e 2020.

O gráfico abaixo normaliza o valor do PIB em cada uma das recessões ao valor pré-crise, isto é, ao valor observado no trimestre imediatamente anterior ao do início da recessão. Comparativamente, a maior queda relativa registrada aconteceu na Crise da Covid, na primeira metade de 2020. Ao todo, a queda foi de quase 11%.

Gráfico de linhas do PIB durante seis recessões, normalizado pelo trimestre anterior a cada crise. O eixo horizontal mede trimestres desde o início da recessão. A Covid produz a queda mais profunda; a crise de 2014–2016 dura mais.

O período de recessão termina, grosso modo, quando a economia para de diminuir. Isto é, o final da recessão não implica que a economia já está operando no mesmo nível que estava antes da crise. Alguns trimestres de crescimento são necessários simplesmente para recuperar o que foi perdido, em termos de PIB.

O segundo gráfico mostra justamente o esforço necessário para voltar ao patamar pré-crise. Na maioria dos casos, foram necessários mais 2-3 trimestres para que a economia recuperasse o que foi perdido na recessão. A exceção notável foi a crise de 2014-16: foram necessários mais de 5 anos, após o final da recessão, para que a economia voltasse ao mesmo nível que estava antes da crise. Isto é, apenas no segundo trimestre de 2022 a economia brasileira apresentou PIB acima do observado no primeiro trimestre de 2014.

Gráfico de linhas do PIB desde o início de cada recessão até a recuperação do patamar anterior. A crise de 2014–2016 apresenta o percurso mais longo, com recuperação apenas em 2022.

A tabela final abaixo resume as recessões econômicas mais recentes da história econômica brasileira. Os dados mostram que o fim formal de uma recessão não coincide necessariamente com a recuperação da economia. Embora a maioria dos episódios tenha sido curta, o tempo necessário para recuperar o que foi perdido variou bastante. Para avaliar o impacto de uma crise é preciso observar não apenas quando a queda começa e termina, mas também quanto tempo a economia leva para voltar ao patamar anterior.

O Brasil enfrentou muitas crises econômicas nos últimos 25 anos (mais do que a maioria dos países). O outro lado da moeda nos revela o quão importante é aproveitar os períodos de crescimento econômico, como o que estamos vivendo agora.

Recessões: perdas e tempo até a recuperação
Período Nome Início Fim Recuperação Duração da Recessão Tempo até a Recuperação* Crescimento Médio** Perda Total
1998Q1-1999Q1 FHC-1 Q1 1998 Q1 1999 Q4 1999 5 8 −0.99% −1.29%
2001Q2-Q4 FHC-2 Q2 2001 Q4 2001 Q1 2002 3 4 −1.92% −1.28%
2003Q1-2003Q2 LULA Q1 2003 Q2 2003 Q4 2003 2 4 −2.98% −1.28%
2008Q4-2009Q1 GFR Q4 2008 Q1 2009 Q4 2009 2 5 −14.56% −5.16%
2014Q2-2016Q4 DILMA Q2 2014 Q4 2016 Q2 2022 11 33 −4.99% −8.11%
2020Q1-2020Q2 COVID Q1 2020 Q2 2020 Q1 2021 2 5 −31.23% −10.96%
(*) - Número de trimestres até a economia voltar ao patamar pré-crise
(**) - Crescimento trimestral médio anualizado

Ninguém decide só com dados. E ninguém decide bem sem eles.

A decisão continua sendo sua. Nosso trabalho é diminuir o que ela tem de aposta.

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Notas de rodapé

  1. O Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE) organizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) se reúne periodicamente para datar os ciclos econômicos brasileiros. Para mais informações, veja o site.↩︎